Não lembro a partir de quando notei meu profundo desconforto para com a literatura brasileira. Aparentemente não foi um processo contínuo, porque interrompido por várias experiências positivas mesmo em uma época em que esse desconforto já devia estar bem estabelecido. A experiência mais recente foi há apenas 4 anos, quando li O Amanuense Belmiro para mais uma tentativa de voltar à faculdade. 2004 foi um ano bastante estranho, comigo de volta do exterior depois de ter ido para lá pensando em não mais voltar, e Cyro dos Anjos deve ter me oferecido algum tipo de identificação na minha perplexidade. Em 2000, também tentando voltar à faculdade, descobri que minha namorada de então estava certa sobre Guimarães Rosa ser um gênio. Do livro Manuelzão e Miguilim, li a história de Miguilim e e terminei com um nó na garganta depois do incidente com o irmão de Miguilim. Quando criança, li quase toda a coleção do Picapau Amarelo e até hoje lembro dessa época como uma incrível viagem pela esfera de fantasia em torno da realidade.
Mas essas foram as exceções. Minha experiência geral na verdade me deixou com a sensação de que não sabemos fazer literatura, ao menos não a par com o que se faz de melhor no mundo.
Hoje estou motivado a tentar achar referências acadêmicas que comprovem ou me demovam dessa minha impressão, e meus alvos primários são respectivamente nosso maior sucesso de crítica, e o de público: Machado de Assis e Paulo Coelho.
Paulo Coelho é um enigma. Lembro de ver na mídia opiniões sobre ser um mau escritor, e lembro de conhecidos expressando a noção de que gostar de Paulo Coelho é basicamente algo constrangedor. Mas ultimamente tenho topado com conhecidos que gostam muito dele.
Machado de Assis é apresentado em livros de literatura, e por professores de literatura, como nosso maior escritor. Lembro quando em 1994 Millôr Fernandes escreveu uma coluna no O Globo sobre o senso de humor profundamente infame de Machado (lembro dele citando o célebre "melhor cair das núvens do que do terceiro andar") e recebeu uma enxurrada de cartas furiosas de leitores do jornal. E lembro como eu não pude deixar de concordar com MIllôr. Machado de Assis é uma leitura profundamente tediosa para mim. Lembro de ter gostado de Helena, mas li na época da novela com Tales Panchacon, eu devia ter o que, uns 10 anos de idade. Quando foi a hora de ler um livro de contos para, sim, você adivinhou, o vestibular, foi com profundo enfado que digeri "A Mão e a Luva", "A Cartomante". Comecei a ler Bras Cubas umas tantas vezes e não devo ter passado da metade. Chato. E nihilista.
Como estive lendo sobre a questão de Machado e os estudantes que o odeiam em um blog, http://www.alteregos.blogger.com.br/2004_07_01_archive.html, que sugere que esses estudantes têm muito pouco background de literatura, pensei em listar o que já li. Que não é nem uma incrível formação literária, nem tampouco o currículo de leitura do estudante médio. Ou sim? Deixo aberto ao julgamento.
Autores; data de leitura (nasci em 1975, dos títulos que li nos anos 80 lembro muito pouco); títulos;
Lobato, Monteiro; circa 1983; Reinações de Narizinho; (praticamente a coleção toda de Sítio do Pica Pau Amarelo);
Marins, Francisco;circa 1986; Série Taquarapoca; Série Expedição aos Martírios; Série Ciclo do Café;
Dumas, Alexandre; circa 1986; Os Três Mosqueteiros; 20 Anos depois;
Dostoievsky; circa 1988; Crime e Castigo
Pushkin; circa 1988; A Filha do Capitão
Doyle, Sir Arthur Conan; circa 1986; Estudo em Vermelho;(praticamente a coleção toda de Sherlock Holmes);
Koch, C. J.; circa 1988; O Homem Duplo;
Fonseca, Ruben; circa 1991; Agosto;
Rosa, Guimarães; circa 2000; Campos Gerais (Manuelzão e Miguilim); Sagarana (circa 2004 - preciso pensar em outro layout para esta tabela);
Assis, Machado de; circa 1991; "Várias Histórias" (A Cartomante, O Alienista, etc);
Conrad, Joseph; circa 2003; Nostromo (em inglês);
Kafka, Franz; circa 1994; O Processo; A Metamorfose; Carta ao Pai; Cartas a Felice;
Lobo, Antonio; circa 2004; Nos Cus de Judas;
Saramago, José; circa 1999; O Evangelho Segundo Jesus Cristo;
Suskind, Patrik; circa 1999; O Perfume;
Sallinger, J. D.; circa 2008; The Catcher in the Rye;
Bradbury;
Clark, Arthur;
Asimov; Isaac;
Coelho, Paulo; ; O Alquimista (circa 1991); O Monte Cinco (circa 2004);
Vou tentar continuar esta lista. Não creio que faltem muitos autores (dos que eu lembro) para adicionar.
Monday, April 28, 2008
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